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Marc Chagall
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Este
editorial tem
duas destinações.
Uma é para
o jornal virtual,
que andou recolhido
por uns tempos,
mas agora volta
para prosseguir.
O outro é
para o jornal
impresso, que
foi planejado
para comemorar
os 10 anos, completados
em abril, mas
assolado por acontecimentos
imprevistos, teve
o lançamento
adiado.

lançamentos
da Editora
da Palavra
FRAGMENTOS
DE MARIA
Maria
Dolores
Wanderley
1º
de outubro
de 2009
Planetário
da Gávea
a partir
das 19h
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| CABEÇA
TRONCO E
VERSOS
de
Victor
Colonna
dia
13 de outubro
de 2009
Livraria
Baratos
da Ribeiro
354 Lj D
Copacabana
a partir
das 20h
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O
SILÊNCIO
DAS XÍCARAS
de
Helena
Ortiz
dia
9 de outubro
de 2009
Cine Santa
Teresa
Rua
Paschoal
Carlos Magno
136
Largo dos
Guimarães
- Santa
Teresa |
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silêncio
das xícaras –
e outros pratos
Helena Ortiz
O livro
que agora lhes apresento
vale 20 mil reais. Cobro-lhes
30 reais o exemplar. Fiz
uma tiragem de 500. Se
vender 200 terei conseguido
6 mil reais e então
pagarei o livro, já
que sou minha própria
editora. Simples assim?
Não, amigos, nada
é simples para
quem escreve. Nem o livro
custou 6 mil, nem sei
se venderei 200 livros.
E mais:
se só vou vender
200 por que fazer 500?
Respondo o que talvez
já saiba, mas outros
não: porque o preço
geral tem a ver com a
tiragem. O preço
do volume diminui se houver
uma tiragem maior. Se
faço imprimir 1000,
o preço unitário
resulta mais barato. Mas
o que farei com os outros
800? Você saberia?
Das
fotos ao filme: dilúvio
ao sol de um videoclipe
Igor Fagundes*
.. é
como um vento que invade,
de repente, a casa.
Irrepetível.
Impressão de
arrepio.
Helena
Ortiz,
“história
de pescadora”
Na época
em que veio a público
o quinto livro de poemas
de Helena Ortiz, sol
sobre o dilúvio,
escrevi um artigo em que
concebia a poesia da gaúcha
como um fenômeno
fotográfico, no
qual, entre as objetivas
e grande-angulares da
palavra, o nítido
e o fora de foco dos homens
ganhavam reportagem. Nesse
estudo sinalizei ainda
para o fato de que todos
os livros da autora compunham
um único ensaio
de fotografias, amadurecido
no próprio revelar,
ao longo do tempo, dos
negativos do ser humano
Helena, observadora também
de si em meio aos tons
de cinza com que a escrita
se clicou (ou a clicou)
em branco e preto. Sem
tê-la deixado, por
isso, menos colorida.
Márcia
Cavendish Wanderley
Alguns contos de Helena
Ortiz são de tirar
o fôlego. A velocidade
vertiginosa de que consegue
dotá-los resulta
da supressão primária
de pontuações,
conectivos e de tudo que
poderia engordá-los.
A ilusão de urgência
torna-se homóloga
àquela da sucessão
ininterrupta de imagens,
em vinhetas e videoclipes,
mas só na rapidez.
Em significado pode aproximar-se
do fluxo de consciência,
que buscava a representação
do ponto de vista do indivíduo
através do monólogo
interior perdido, ou em
conexão com outras
ações.
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DIÁRIO
BRASILEIRO
Armindo
Blanco |
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Armindo Blanco foi uma
alma viajante. Os seus
olhos estiveram sempre
atentos para a indicação
do movimento da vida ao
redor. Não a vida
refestelada e cômoda,
esquecida dos compromissos
mais profundos, que todo
ser humano precisa honrar,
mas a vida que pergunta
pelo hoje, pelo amanhã,
pelos sentidos dos atos
que presenciamos e que
irão ecoar para
sempre, como se fosse
um tambor metafísico
ensandecido.
Tânia
Brandão
Diário
Brasileiro
Armindo Blanco
Crônicas publicadas
desde 1995 no jornal “O
Dia”.
Editora da palavra
408 páginas
Hoje
em dia, quando se trata
de alemães, o sempre
bem-humorado presidente
Fernando Henrique prefere
os da Volkswagen, embora
sejam por demais apegados
a isenções
fiscais e outras vantagens.
Mas houve tempo em que
o então sociólogo
era mais chegado a outro
tipo de alemão,
como o filósofo
Karl Marx, cujas Obras
Escolhidas lia e relia
na versão em espanhol
editada por Moscou. Ao
invés de dizer,
a toda a hora, “meu
Deus do céu”,
dizia: “Segundo
Marx ...” E daí
zarpava para brilhantes
elocubrações,
que mais tarde lhe valeriam
borla e capelo na Universidade
de Coimbra.
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| CARLOS
PENA FILHO: o poeta da
cor
(1929-1960)
Carlos
Couto Pena Filho nasceu
em 17 de maio de 1929,
no Recife (PE). De família
de imigrantes portugueses,
seus pais foram Carlos
Couto Pena, comerciante,
e Laurinda Souto Pena.
Em 1937,
com a separação
dos pais, foi para Portugal,
com a mãe e os
irmãos Fernando
e Mário, morar
na casa dos avós
paternos. Lá viveu
dos oito aos doze anos
quando então retornou.
O pai permaneceu no Recife,
onde era proprietário
de uma sorveteria. A linguagem
de Carlos Pena Filho,
carregada de oralidade
e essencialmente musical,
tem sempre um forte apelo
pictórico. Visual,
plástico, é
como se ele realmente
às vezes “pintasse”
com palavras.
Augusto
Sérgio Bastos
“O
que mais me atraiu na
poesia de Carlos Pena
Filho quando surgiu o
ainda menino e já
tão artista, telúrico
sem deixar de ser renovador
no Recife da expressão
poemática em língua
portuguesa? Creio que
o mesmo que o atraiu à
minha prosa: a sensibilidade
à cor. A sensibilidade
às cores. A particular
sensibilidade ao verde
e ao azul. Nele o lógico,
o racional, o erudito,
o sistemático sempre
me pareceu muito menos
presente que o intuitivo,
o por vezes quase instintivo,
o por vezes, telúrico,
o quase sempre ecológico.
"
(Gilberto
Freyre. “Carlos
Pena Filho”. In:
Edilberto Coutinho. O
livro de Carlos. Rio de
Janeiro: José Olympio,
1983)
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poesia
sempre |
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| poemas
de
Luiz Otávio Oliani
. Alexandre Guarnieri
Daniel Santos
. Elida Escaciota . Rosane
Ramos . Ivan Frias
Maria Dolores Wanderley
Tchello de Barros
. Mariel Reis
Isolde Bosak . Joca
de Olivera . Álvaro
Mendes . Astrid Cabral
Dantas Mota . Hugo
Pontes
Wilson Vieira
. Igor Fagundes . Zeh
Gustavo . Agilberto
Calaça
Diana de Hollanda
. Rita Moutinho . Lígia
Dabul
Enzo Pontel .
Paula Padilha . Augusto
Sérgio Bastos
Lila Maia .
Márcia Cavendish
Wanderley
Jacinto Fábio Corrêa
. Viviane Mosé
.
CARTAS BAHIANAS - Renata
Belmonte . Adelice
Souza . Vanessa Buffone
José Inácio
Vieira de Melo . Adele
Weber . Lou Viana
Idea Vilariño
. Mário Benedetti
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poesia |
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 |
| C
A R T A P A C I O D E
P O R T I V O
La tienda
Bikila fue abierta el
16 de mayo de 1988. En
la actualidad tiene una
cadena de locales en las
ciudades más importantes
de España y permite
compras a través
de Internet. En la sección
Ofertas hay anteojos para
sol a 220,00 euros, camisetas,
pantalones, zapatos deportivos
que van desde los 100
a 150 euros, y cualquier
artículo para la
practica del atletismo.
Su página de presentación
afirma que el nombre Bikila
fue tomado (¿en
honor?) del legendario
atleta etíope,
el mismo que mostró
al mundo la prescindencia
de los objetos de consumo.
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mais
crônica |
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| Fragmentos
de Maria
Maria
Dolores Wanderley
Depois
de Rumores de azul
(2001), Mar espesso
(2003), A duna intacta
(2006) e este Fragmentos
de Maria, Maria Dolores
Wanderley já não
é uma promessa,
e sim uma presença
singular de grande interesse
dentro do caldeirão
da poesia brasileira contemporânea,
no qual totalmente novas
experiências de
linguagens poéticas
(como aquelas que desmantelam
mais radicalmente um sentido
discursivo ao mesmo tempo
em que apagam as fronteiras
entre gêneros literários,
filosofia e ativismo)
são cozidas ao
lado de inteligentes e
frequentemente irônicas
releituras que dão
continuidade à
nossa herança modernista
e concretista, entre outras
tendências.
Renato
Rezende
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| o
silêncio das xícaras
Helena
Ortiz
quando
dei pela falta não
estavam mais umas xícaras
que eram do tempo de Pierre
antes de Pierre ir para
sempre lembrei das xícaras
quando ela disse que ia
embora você pode
achar que isso é
mesquinho mas eram minhas
minha mãe me deixou
aquelas xícaras
e também um conjunto
de copos com jarra de
cristal tcheco presente
de casamento eu os guardava
tinham grande valor estimativo
agora ela se vai lembro
que um dia lhe dei para
guardar as xícaras
e os copos dentro do armário
que ficava na sala depois
desceram para o quarto
dela onde agora está
juntando seus trastes
trouxas
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Cabeça
tronco e versos
Victor
Colonna
Astrid
Cabral |

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Em nossos
dias, ninguém ousaria
negar que a poesia constitui
um reduto de resistência
contra a acelerada desumanização
promovida pelo mundo tecnológico.
Se o poeta se envolve
de modo abrangente com
as questões universais
e atemporais da condição
humana, por outro lado
sempre enfatiza o que
o distingue como indivíduo,
testemunhando sua experiência
histórica única,
ressaltando sua singularidade
emotiva através
de linguagem própria,
enfim, expressando sua
presença em meio
à multidão
anônima e silenciosa.
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| AFETO
NA MARRA
Daniel
Santos
De
vez em quando,
ainda me visitam.
Nem entram mais
pela porta dos
fundos, como antes,
mas esperam que
eu apareça
na janela do sobrado
para me acenarem
amistosos. É
como se dissessem
“tudo bem”
e se vão.
Ignoro o que
pretendem desde
quando me surpreenderam
a sós,
me imobilizaram
sem violência
e tiraram mostras
de pêlos,
unhas, saliva,
sangue, pele ...
Um acervo a meu
respeito. Ou a
respeito da espécie?
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|
mais
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