"Da
geração
de poetas
que cultivam
a poesia desde
a década
de 70, Tanussi
Cardoso é
um dos mais
atuantes.
Vem do tempo
em que (ainda
mais do que
hoje), era
preciso lutar
muito, correr
aos bares,
portas de
teatro e praças
públicas
numa verdadeira
guerrilha
de afirmação
do verso.
Seu livro,
Beco com saídas,
de 1991, traz
uma rascante
visão
do cotidiano
firmada na
ironia, no
sarcasmo e,
sobretudo,
numa lírica
enxuta e visceral.
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Já
neste Viagem em torno
de, Tanussi Cardoso
muda o tom. O que antes
fora oswaldianamente
irônico, vira
elegíaco; o que
era o circo da paixão
fica solene, reflexivo.
É o poeta diante
do nada. Frente ao semblante
da morte e seu olhar
inconfundível.
Segundo
João Cabral de
Melo Neto, há
dois tipos de poetas:
os que escrevem por
excesso de ser, e aqueles
que o fazem por deficiência
de ser. Neste mais vale
o labor que a inspiração;
já nos outros
a poesia é um
rio sem fronteiras.
E
é esse o rio
de Tanusssi. Nele é
o coração
que busca o verbo. Não
o sentir puramente abstrato
e impalpável,
mas a vida em suas lanhuras
e esplendores a corporificar
o sentimento com palavras
de carne, concretas
e explosivas."
Salgado
Maranhão
"Refletindo
sobre a morte, Tanussi
faz um belo balanço
da vida, com verdade,
pungência, consciência
e lucidez. Conhecendo
a obra de Tanussi, acompanhada
desde o seu início,
eu diria que, basicamente,
a diferença deste
livro para os anteriores
é a linguagem.
Não tanto a forma,
mas a maneira de dizer,
sua ars-poética
tem uma dicção
diferente. Nos livros
anteriores o poeta estranhava
e se assombrava diante
da vida e dos fatos.
Hoje, maduro e consciente,
aceita e não
luta mais contra os
desígnios de
seu script pessoal Mas
não é
uma posição
alienante, porque a
luta e as armas são
de outra forma: ele
joga lirismo onde há
a poluição
da vida, joga esperança
onde há só
abismo, buscando humanizar
o desespero, sem perdê-lo
de vista. Em meio à
calma das tormentas,
se é que isso
é possível,
o poeta refulge em seus
passos, seus espermas,
seus segredos. Com sua
poesia eminentemente
social, este poeta não
canta e chora só
seus mortos particulares,
canta também
motos anônimos
e os mortos da Candelária.
Assim, para ele, morto
é poema acabado.
A poesia, maior que
o quintal da infância,
maior que a do poema
nascendo é apesar
de tudo e todos, sol
e ouro."
Olga
Savary
"Tanussi
Cardoso trafega na rota
austera que conduz ao
poema essencial, aquele
que estimula a reflexão.
Exercício
do olhar é o
retrato sincero de um
poeta demasiado livre,
comprometido com a vida,
do seu despertar até
sua extinção,
o que ajuda a compreender
a recorrente abordagem
da perda, presença
constante em seu livro
Viagem em trono de.
Engana-se quem pensa
tratar-se de um livro
depressivo, pesado,
rascante Longe disso,
o verdadeiro poeta não
faz gênero, tampouco
precisa vestir personas
na intenção
de ora agradar esta,
ora aquela tribo, ou,
para ser mais “moderno”,
abocanhar a fatia do
mercado em moda.
(...)
Desde Beco com saídas
(Edicon, 1991), Tanussi
não desperdiça
versos, tampouco subestima
o leitor desfiando angústia,
dor de corno ou amores
impossíveis.
Seus poemas são
de uma sutileza impressionante,
vivos, transformam-se
em trapezistas, sem
rede de proteção,
de página em
página. O braço
de um segurando a mão
de outro com confiança
e sincronia. Correm
riscos? Claro que não,
o poeta tem talento
e coragem de sobra.
É necessário
que o leitor esqueça
as bobagens da poesia
brasileira contemporânea
e siga a rota de Tanussi,
explore o terreno que
separa os poemas e perceba
que o autor lhes concede
a oportunidade de criar."
Luiz Horácio
Rodrigues
"Não tenho
dúvidas em escrever
que Tanussi Cardoso
é o poeta que
mais admiro atualmente
no Rio de Janeiro. Assim,
começo por agradecer-lhe
a oportunidade que me
deu de prefaciar o seu
novo livro, Exercício
do olhar, e poder
demonstrar os motivos
desta admiração
que se estende dos poemas
ao poeta - ao homem
cordial, dócil,
educado, talentoso e
humilde que sabe ser.
Humildade orgulhosa
– digamos assim
– de quem conhece
as suas forças
e vive continuamente
procurando superar os
seus limites."
Gilberto
Mendonça Teles
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