| Carioca,
24 anos. É poeta, contista,
ensaísta, dramaturgo, jornalista
e ator. Mestrando em Poética
no Programa de Pós-graduação
em Ciência da Literatura na
Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) e graduado em Comunicação
Social pela Universidade Federal
Fluminense (UFF).
Autor dos livros
de poemas Transversais (Prfmeiro
Lugar no Concurso Literário
Estudantes do Brasil, 2000), sete
mil tijolos e uma parede inacabada
(2004) e por uma gênese
do horizonte (Vencedor do IV
Prêmio Literária Livraria
Asabeça - 2005, no prelo).
Possui cerca de 60 premiações
em concursos literários e
trabalhos traduzidos para o inglês,
francês e espanhol.
No meio artístico,
participou de 14 espetáculos
teatrais como ator. Produziu e escreveu
duas peças. Dirigiu uma delas.
Possui prêmios em teatro infantil.
É jornalista do Grupo Folha
Dirigida.
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criação
por todos que enfrentam leões e se
transformam
em presas de si mesmas quando faltam jaulas
no circo-poema onde estão soltas
suas feras
por todos que despencam na hora do trapézio
no equilibrismo de uma rima ou de uma métrica
e rompem a antes firme rede ou cama elástica
por todos que se arriscam mágicos
do verso
e da cartola não retiram pombas brancas
somente o pálido silêncio da
platéia
por todos que sem mote fingem ser palhaços
no show que pede o riso quando é
mais honesto
o drama em desafio à sorte do patético
por esses o escrever por vezes lembra dados
e à margem da euforia dança
o mais funesto
mas ao beirar a morte a escrita extrai remédio
por todos que vislumbram luz no fim do
caos
e sabem que no fim o alívio sempre
inventa
uma razão para um durante sem estima
por todos que percebem: tudo tem um preço
e no espetáculo do verso o ingresso
é lâmina
cortando as sobras de palavra pelas filas
por todos que desejam sob a lona o forte
para que em tempo certo o corte seja dado
entre o papel-arquibancada e o que ele mira
por todos que na mira apontam picadeiros
e sem o truque da cartola os sentem mágica
no circo-poema onde se espraia a travessia
por esses o escrever não se assemelha
a dardos
e à margem do funesto dança
em euforia
o artista gêmeo do que em vida sempre
vibra
mergulho
Não leve nada à minha boca
que não seja mar
navio em ressaca
peixe desbravando meus vazios
Só traga à minha boca
o que tem sal
desenhe em mim o salto de um golfinho
quem sabe gaivotas sobre a língua
dela farão
nosso ninho
Só leve à minha boca o que
me mude
que seja a farpa de um ouriço
mas me invada
flauta sobre a pedra a ostrar conchas
me guarde nelas
me faça pérola
mas não guarde nada em mim
que tenha chaves
não quero trancas maçanetas
é o mar aberto
que beija minhas baías
Não leve nada à minha boca
sem paixão
para que vejamos
de longe
perto
o que atrás do horizonte
ainda é pôr/nascer-de-sol
no coração
.
tradução
Dizer das paredes: rígidas
como os corpos que não cessam
de serrá-las,
mas não cessam de
erguê-las
pois o tempo é uma morada
quase intacta
– ora se desmonta,
ora está refeita.
Dizer das paredes: pálidas
como as noites ontem brancas,
pouco a pouco desbotadas,
quase iguais ao mobiliário,
aos motivos, aos retratos,
pois o tempo é uma tintura
que se gasta:
outra em que se invista
será só máscara.
Dizer das paredes: nós
como os pronomes pessoais
do caso incerto,
conjugados na labuta
da existência, pois o tempo,
mais que sólido, é ausência,
e por isso nos tramamos
rígidos, pálidos, úmidos,
versos:
para preencher
nossos últimos restos.
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