Fernando Antônio Py de Mello e Silva nasceu em 13 de junho de 1935, no bairro do Catete, Rio de Janeiro (RJ). Filho de gaúchos, o pai, Lino Alderico de Mello e Silva, descendente de portugueses, era médico psicanalista e pianista amador. Foi amigo de Mário Quintana e de Augusto Meyer; quando jovem escreveu e publicou poesias em jornais e revistas. A mãe, Clélia Py de Mello e Silva, descende de franceses e espanhóis. O sobrenome Py é uma forma reduzida de pino (pinheiro). O tetravô, D. José Pi, natural da Catalunha, ao chegar ao Brasil, trocou o i para y, que a família ostenta até hoje.
Fez o curso primário no Externato Coração Eucarístico, o ginasial no Colégio Santo Inácio e o colegial no Colégio Mallet Soares, todos na cidade natal, onde viveu até 1967, quando se mudou para Petrópolis (RJ), onde reside. Formou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), em 1960, porém nunca advogou. Foi funcionário da CAPES, órgão do Ministério da Educação, e da Procuradoria do Estado do Rio Grande do Sul. Como meteorologista previsor do tempo trabalhou no Instituto Nacional de Meteorologia, de 1962 até 1994, quando se aposentou. Casou-se em 1963 com Maria Soares de Mello e Silva, com quem tem três filhos.
Dedicando-se simultaneamente à elaboração de sua obra poética e ao estudo da produção alheia, Fernando Py confirma a crença de que todo bom poeta é um crítico nato. Poeta culto e com amplos recursos, é um lúcido crítico literário, colunista, redator, tradutor, estudioso da astronomia e pesquisador.
Colaborou em diversos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, principalmente O Globo, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, Estado de Minas e Correio do Povo. Trabalhou como redator e tradutor em enciclopédias, sobretudo a Grande Enciclopédia Delta Larousse e a Enciclopédia Mirador Internacional. Traduziu mais de 30 títulos: romances, livros de contos e obras de divulgação científica do inglês, do espanhol e principalmente do francês. Destaque para os sete volumes de Em busca do tempo perdido, do francês Marcel Proust, e obras importantes de Honoré de Balzac, Marguerite Duras, Cervantes (uma adaptação de Dom Quixote de La Mancha), Alexandre Dumas e Isaac Asimov.
Publicou 10 livros de poesia. O primeiro foi Aurora de vidro, em 1962, seguindo-se A construção e a crise, Antiuniverso, Sol nenhum e 70 poemas escolhidos, entre outros. Tem três livros de crítica literária, destacando-se Chão da crítica. Organizou as Poesias completas de Joaquim Cardozo e, em colaboração com Pedro Lyra, publicou a antologia comentada Carlos Drummond de Andrade: poesia. É o autor da Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade.
Em 2003, Fernando Py recebeu o título de “Cidadão Honorário de Petrópolis” e atualmente assina a seção “Literatura” na Tribuna de Petrópolis.
Augusto Sérgio Bastos
“[...] Pois estamos, com efeito, ante uma aventura poética que por muitos títulos é de singular importância: em primeiro lugar, pervade este livro todo uma seriedade de visão, em face da busca da expressão do poético, que exige, no mínimo, que o leitor repense muitos dos seus hábitos mentais; em segundo lugar, ela se nos apresenta com uma diversidade de formas e temas em que, sob um aparente lastro de simplicidade, às vezes brotam tão fundas vivências e tão dolorosas e exatamente concretizadas, que a simplicidade primeira se nos mostra, logo em seguida, muita sabedoria e determinação. Em terceiro lugar, nos poemas mesmos em que mais fundo o sofrer-viver contemporâneo é mais apreendido, mais econômica e mais contundente é a expressão.
[...] Se no plano micropsíquico aquele dos velhos temas líricos de sempre do amor e da morte a poesia de Fernando Py renova não raro com percepções novas a singularidade unipessoal ou, se tanto, bipessoal desses temas, no plano macropsíquico ele se faz porta-voz de um nojo-angústia e de um medo-coragem que são muito de nossa modernidade, nossos, brasileiros, presentes, ante o mundo em (de)composição que vivemos nesta triste e tão exemplar hora. [...]”
(HOUAISS, Antônio. Apresentação. In: PY, Fernando. A construção e a crise. Rio de Janeiro: Simões Edições, 1969)
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