| Manuel Antônio
Álvares de Azevedo nasceu em
12 de setembro de 1831, na cidade
de São Paulo (SP). Era o segundo
filho de Inácio Manuel Álvares
de Azevedo, quintanista da Faculdade
de Direito, e de D. Maria Luísa
Carlota Silveira da Mota Azevedo.
Seu pai bacharelou-se
em 1833 e nesse mesmo ano mudou-se
com a família para o Rio. Auditor
de guerra, juiz de Direito em Niterói,
chefe de Polícia da Corte,
deputado geral pela Província
do Rio de Janeiro, entregou-se depois
à advocacia, a que se consagrou
até o final de sua vida.
Álvares de
Azevedo, bem cedo, sofreu o impacto
da morte. Em 1835, morreu o irmão
menor, o que o abalou profundamente.
Maneco – apelido familiar do
nosso poeta – era um menino
franzino, inspirando cuidados, embora
alegre e amigo de brincar. Aos seis
anos foi matriculado num colégio
em Niterói, onde o declararam
incapaz de aprendizagem. De 1840 a
1844 cursou o colégio do Prof.
Stoll, conceituado educandário,
onde se destacou, sendo considerado
o melhor e o primeiro aluno em tudo,
exceto ginástica. Nos três
anos seguintes, estudou no internato
do Colégio Pedro II, bacharelando-se
em Letras, sob a tutela de grandes
mestres. Ali teve a oportunidade de
aprender filosofia com Gonçalves
de Magalhães, o poeta de Suspiros
poéticos e saudades, considerado
o livro inaugural do Romantismo no
Brasil. Nesse período teve
problemas disciplinares, devido ao
gênio folgazão, que o
levava a caricaturar mestres e bedéis,
sofrendo diversos castigos.
Em 1848, matriculou-se
na Faculdade de Direito de São
Paulo, onde permaneceu até
1851, sem concluir o curso devido
à tuberculose pulmonar que
o acometia. Lá conviveu com
Bernardo Guimarães, José
Bonifácio (o Moço),
Aureliano Lessa e José de Alencar,
entre outros. Participou de várias
atividades acadêmicas e associações
culturais, colaborando nas publicações;
fundou a Associação
do Ensaio Filosófico Paulistano;
manteve-se alheio às estudantadas
e extravagâncias “românticas”.
Estudou e leu muito. Foi nessa época
que escreveu quase toda a sua obra.
No final de 1851
foi para Itaboraí, a fim de
cuidar melhor da saúde. Já
o assaltara o pressentimento da morte.
Planejava terminar os estudos em Recife,
pois sentia que morreria em São
Paulo. Em 10 de março, ao voltar
de um passeio a cavalo, sofreu um
acidente ao cair do animal, cuja conseqüência
foi um tumor na fossa ilíaca.
Operado, obteve uma pequena melhoria,
mas a tuberculose se agravou. O poeta
morreu às cinco horas da tarde
do dia 25 de abril de 1852, na cidade
do Rio de Janeiro.
Toda a obra de Álvares
de Azevedo é de publicação
póstuma. Em 1853, foi editado
seu primeiro livro (Poesias), contendo
Lira dos vinte anos, única
obra cuja edição o poeta
preparara, e Poesias diversas.
Seguiram-se reedições
sucessivas e ampliadas, que foram
incorporando os seguintes títulos:
O poema do frade (poesia),
O conde Lopo (poesia), Macário
(peça de teatro), Noite
na taverna (contos), Livro
de Fra Gondicário (poesia),
Discursos e Cartas.
Augusto Sérgio
Bastos
“É inegável o
valor absoluto de Gonçalves
Dias e o sentido retórico de
Castro Alves, mas também é
admirável o gênio criador
e modernizador de Álvares de
Azevedo. Isso de se dizer que ele
não soube ser ‘nacionalista’
é coisa de crítico nacionalista
e não de estudioso de poesia.
[...] Mais do que
qualquer outro poeta romântico
brasileiro, soube explorar a alegria
ingênua, mas genial, de se brincar
com os temas, de se jogar com a linguagem,
como em ‘O poema do frade’,
onde Castro Alves buscou muitas das
suas imagens e onde se lê que
‘A crítica é uma
bela desgraçada / Que nada
cria e jamais criara; / Tem entranhas
de areia regelada; / É a esposa
de Abraão, a pobre Sara / Que
nunca foi por Anjo fecundada’.
[...] É este
sentido de humor, que identifico com
a alegria jovial do poeta, que destrói
um pouco o mito crítico de
que a sua poesia é da ordem
do pessimismo, da tristeza, da falta
de esperança, do negativo.
Vivendo tão pouco, não
tendo tempo nem de organizar logicamente
a sua obra e os seus livros, o que
escreveu tem mesmo o timbre de uma
dupla força criadora: de um
lado, a capacidade de ler como ninguém
nesse curto tempo e aprender o sentido
retórico do poema (coisa que
falta aos jovens poetas da atualidade).
E, de outro, a flama intuitiva e inspiradora
que o levou a acreditar na poesia
como algo acima de tudo, que lhe dava
resistência e a alegria mais
funda e maior de viver e de ousar
brincar com a morte, como em ‘O
poeta moribundo’, da série
de ‘Spleen e charutos’:
‘Coração, por
que tremes? Vejo a morte, / Ali vem
lazarenta e desdentada... / Que noiva!...
E devo então dormir com ela?...
/ Se ela ao menos dormisse mascarada!’’’.
(Gilberto Mendonça
Teles. “Vinte e um
anos incompletos”.
Jornal do Brasil, Rio de
Janeiro, 7 de abril de 2001. Caderno
Idéias)
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