Marcus Vinicius Cruz
de Mello Moraes nasceu no Rio de Janeiro
(RJ), em 19 de outubro de 1913.
A poesia surgiu cedo
em sua vida. Publicou o primeiro livro,
O caminho para a distância,
aos 20 anos, mesma idade com que se
formou em Direito. Nunca trabalhou
como advogado, mas durante a ditadura
Vargas, por um curto período,
exerceu a função de
censor cinematográfico.
Seus livros seguintes
foram Forma e exegese, Ariana, a mulher
e Novos poemas, com o qual ganhou
a bolsa do Conselho Britânico,
em 1938, e foi estudar em Oxford.
No ano seguinte, ainda na Inglaterra,
casou-se por procuração
com Beatriz Azevedo de Mello, o primeiro
dos seus nove casamentos. Logo depois
retornou ao Rio de Janeiro iniciando
uma carreira jornalística como
redator do Suplemento Literário
do semanário A manhã,
onde fazia também a crítica
cinematográfica. Mais tarde
trabalharia no jornal Última
hora, publicando suas primeiras crônicas,
e colaboraria em muitos outros periódicos.
Aos 30 anos entrou
para o Itamarati, iniciando a carreira
diplomática. Em 1946 foi morar
nos Estados Unidos, ocupando seu primeiro
posto no exterior: vice-cônsul
em Los Angeles. Três anos depois
foi transferido para Paris.
Em 1956 Orfeu da Conceição
é encenado no Teatro Municipal,
com cenários de Oscar Niemeyer
e música de Antônio Carlos
Jobim, iniciando a famosa parceria.
Tom era filho do poeta Jorge Jobim.
O pai de Vinicius, Clodoaldo Pereira
da Silva Moraes, também escrevia
poemas e tocava violão.
De Paris foi transferido
para a UNESCO, depois para Montevidéu
e novamente Paris. Em 1964 voltou
em definitivo para o Brasil, dedicando-se
intensamente, a partir daí,
à música popular. Em
1967 foi exonerado do Itamarati e
teve sua Obra poética reunida
pela Editora Aguilar. Nos últimos
15 anos já havia lançado
mais cinco livros de poesia, entre
eles o Livro de sonetos, e dois de
crônicas. Em 1970 publicou A
arca de Noé (poemas infantis)
e começou a compor com Toquinho,
o parceiro mais constante até
o final de sua vida.
Vinicius tinha uma consciência
de “esquerda” de que muito
se orgulhava, como se observa na composição
do hino da UNE, em parceria com Carlos
Lyra. Muitas vezes usou a sua poesia
como instrumento de indignação
e de protesto: em 1979, fez uma emocionante
leitura de poemas no Sindicato dos
Metalúrgicos de São
Bernardo do Campo (SP), a convite
do líder operário Luís
Inácio da Silva, o Lula.
Vinicius de Moraes morreu em 9 de
julho de 1980, no bairro da Gávea,
o mesmo onde nascera.
Augusto
Sérgio Bastos
“Parte da produção
poética mais conseqüente
do século XX se caracteriza
por duvidar sistematicamente dos processos
de representação e,
em certa medida, faz da necessidade
de questionar os limites da representação
um de seus temas prediletos. Em outras
palavras, parte ponderável
da poesia do século XX fez
da linguagem a sua meta, e acabou
caindo de boca na metalinguagem.
Na poética inatual
de Vinicius, a linguagem aspira à
plena transparência, salvo exemplos
isolados (e ainda assim, confinados
pelo autor ao círculo da “experiência
vivida”), como a Elegia no 5.
O reconhecimento da poesia como linguagem
seria, aos olhos do herói,
um inaceitável seqüestro
da vida. Para representar a vida,
conforme sua cartilha, era suficiente
traduzi-la em palavras.”
(Geraldo Carneiro,
de Vinicius de Moraes – a
fala da paixão - Editora
Brasiliense, Rio de Janeiro, 1984) |