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Cinco
poetas chilenos contemporâneos
Seleção
e tradução dos poemas:
Cristiane
Grando
Poema em prosa número
5
do
livro “El corazón tiene alas de ave de
paso”
Deslizam curvas as ondas, se cruzam lábios ao
roçar da espuma, desnudos descemos ao espelho do rio,
deslizam peitos na névoa dos corpos. Ouço o
respirar do cervo, brisa no ouvido: Tu eras o ar para o vazio de meus
braços, eu te elegi para a minha ausência.
Bruno
Serrano (Chillán, 1943)
Poeta e diretor da Área de Culturas Originárias
da Divisão de Cultura do Ministério de
Educação do Chile. Prêmio Internacional
“El Exílio” (1981) e Prêmio
Pedro de Oña (1982), entre outros. Autor de El antiguo ha
sucumbido (1979), Olla común (1985) e El corazón
tiene alas de ave de paso (2002).

A
história é uma atriz
com
a maquiagem manchada
Sabem os netos que sou do século passado e vêem
o olho de Andy Warhol entre velhas lembranças.
Cópias de cópias. Elvis triplicado. Jackie
chorando sob um véu pelo presidente Kennedy.
A boca de Marilyn como um fogo perpétuo,
seu piscar de olhos de estrela em negativo. Mao Tse Tung
com a sopa de tomate. É o século passado
em lata de conservas: museu do avô,
gavetas que os meninos sem nostalgia revolvem.
Jorge
Montealegre (Santiago de Chile, 1954)
Poeta, jornalista, pesquisador e professor universitário.
Diretor do Fondo del
Libro y la Lectura do Ministério de
Educação. Bolsa Guggenheim
1989, Prêmio
Municipal de Literatura de Santiago. Publicou: Lógica en Zoo
(!981), Astillas
(1982) e Bien
común (1995), entre outros.
Tardio para Teillier
Quando morra este poeta escreverei
que os irmãos Teillier não sabiam
dançar,
enquanto bebo café,
carregado com gotas de aguardente
para diferenciar vivos de mortos.
Sem brindes nem parra nem essa menina vestida de branco,
com a sensação de que deixam cachorros mortos
à sarjeta,
fecho esta edição de Arancibia Hnos. pensando
- só de névoa podemos falar sob uma cerejeira
–
que aqui,
onde os passos não deixam marca
porque o asfalto é dono e senhor de todos os
sertões,
será mais milagroso que esses velhos povos no entardecer,
e a canção que ainda escutam os que
não bailaram.
Sergio
Rodríguez Saavedra (Santiago de Chile, 1963)
Poeta, crítico literário chileno e professor.
Prêmio
de Poesía Pablo de Rokha e V Festival
Victor Jara, entre outros. Publicou: Suscrito en la niebla
(1995),
Ciudad
poniente (1999), e Memorial
del confín de la Tierra
(2003).

Às vezes o vento
golpeia tão forte as estrelas contra as janelas
que parecem que vão se soltar de suas amarras
ficando à deriva como uma barcaça
que perdeu o eixo em plena tormenta.
É então que o vento enche de gaivotas marinhas no
ar,
gaivotas que atravessam os olhares
que vão para a terra em busca de refúgio
são estas vezes as que fazem florescer uma
oração
cheia de artérias
cheia de árvores e canais
porque a mão invisível chama à porta
e aparentemente
apenas é o mar e o vento
abraçados em enlouquecida dança,
apenas o mar esvoaçando
fugindo de sua jaula.
Mario
García (Chaitén, 1964)
Poeta, professor de Filosofia e Castelhano. Integrante do Tailler
Literario AUMEN, de Castro (Chiloé).
Prêmio
“Benigno
Ávalos” da Sociedad de
Escritores de Chile e
Juegos Literarios
Gabriela Mistral, entre outros
prêmios e bolsas. Autor de
(Des)pliegues de papel y follaje
(1995), Poemas
in-púbicos (1995) e Los palafitos...del
paisaje (2000).

Corredor de minha casa
antiga
Um gato
brinca com a serragem
uma ampulheta de cores
– está escuro –
Escuta boleros à distância
sabe que por aí anda alguém
que não tem bússola
não sabe de onde vem
e que perdeu tudo em um duelo
Sergio
Ojeda (Puerto Natales, 1965)
Poeta, jornalista e professor universitário. Diretor do
jornal Carajo.
Publicou Pedazo de mundo
(2000).
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