Cruzes

Augusto Sérgio Bastos


Cruzes são braços magros
Braços que nunca se fecham
Braços que nunca se tocam
Vigiam do alto do morro
Acolhem na torre da igreja
Espantam no milharal
Alguns carregam às costas
A outros servem de culto
Que a elas pedem socorro
Com esses vão para o túmulo.

Amores

João amava Teresa que amava Raimundo que amava...
Carlos Drummond de Andrade

Sílvio Ribeiro de Castro

Mariana era tão formosa,
frágil como uma flor,
delicada, perfumosa,
foi o meu primeiro amor.
Depois, amei Juliana,
Juliana amava João,
João amava Suzana,
que se casou com Romão.
Pareciam tão felizes,
mas, para minha surpresa,
Suzana sumiu no mundo
com o marido de Teresa.
Suzana depois voltou,
bateu asas pro meu lado,
mas eu, gato escaldado,
me casei com Joana,
embora amasse Isabel,
mas Isabel amava Pedro,
que se casou com Raquel.
Raquel, por sua vez,
só amava a aventura
e fugiu pra Cingapura
com um mrinheiro francês.

Outro dia, encontrei
Mariana
Meu Deus, como está gorda!

na fotografia

José Virgílio Maciel.

sorrio entre a duna
que o vento esfacela
e a onda que estoura
na falésia

nunca reconheceria
a mim mesmo
pela alvura dos dentes –
reconheço-me pela geografia

que mar amargo erodiu
meu rosto?
que ar amaro?
– quando?

Redescoberta

Luiza Viana

E seus filhos,
mãe gentil?
Pátria amarga:
Brasil

Muertos del Siglo XX

Rodolfo Alonso

Sembrados
sobre el rostro impasible del planeta

Devueltos
a su seno sagrado
al barro fundador al polvo cósmico

Acaso
sólo en nuestra memoria siguen vivos
con su mueca de gozo o de terror
de indiferencia o asco

Esa segunda muerte les llevamos

Entonces
ya no serán fantasmas
para nadie

Poemínimos

obsoleto
tudo
que
eu
sabia
absoluto

 

 

 

Tchello d´ Barros

 
 
 
poeta da vez
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