XXIII
Álvaro Miranda
Se é melancolia já
nem sei...só sei
o nome desta noite que entra fina
pela fresta, janela que ilumina;
meus enganos, a noite os faz gemer...
Em silêncio, os amores apascentam,
nus, segredos de morte, incerta
linha
sem margem nem umbral, vento ou
carícia...
É o grão que não
se explica, qualquer jeito
de uma palavra que o fogo transmuta,
conformação de abismo
no mormaço
dos seus olhos, mulher que agora
muda,
exausta, desolada, muito puta,
no desenlace sem palavra ou abraço:
silêncio e aceno...no claro
da lua.