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capa sobre
tela de
Clóvis Lima
Barreto
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| De
novo é
Natal e breve
será um
novo ano, como
sempre acontece
enquanto estamos
vivos.
As
lutas, vencidas
ou perdidas, fazem
parte do passado.
É hora
de recomeçar
o que nunca foi
interrompido.
Sabemos disso.
E
porque o poema
é de quem
precisa dele,
fazemos nossa
a mensagem de
Bráulio
Tavares, que soube
dizer melhor o
que queremos.
A
todos, um grande
abraço
do panorama da
palavra, um agradecimento
especial aos poetas
Augusto Sérgio
Bastos e Daniel
Santos, a todos
os que criaram
e divulgaram literatura
em 2007 e um abraço
reconhecido a
Bráulio
Tavares, nosso
porta-voz para
2008.
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| VINTE
ANOS DEPOIS DO MALANDRO
LUIS ANTÔNIO
Por
Jair Alves
Para todos os componentes,
de todos os tempos,
da Cooperativa Paulista
de Teatro
Véspera
de Natal do ano de 1987,
a classe artística
foi sacudida com uma notícia,
no mínimo insólita.
O diretor teatral Luis
Antônio Martinez
Corrêa é
encontrado morto, dois
dias antes, vítima
de um assassinato insano,
em seu apartamento no
Ipanema - Rio de Janeiro.
Mais tarde, esse tipo
de crime se tornaria comum
na vida urbana, especialmente
em cidades como Rio de
Janeiro e São Paulo.
Para muitos, aquela violência
era uma novidade, para
poucos era o rastro da
serpente que começava
a se manifestar de forma
clara e inequívoca.
A tão cantada violência
dos dias de hoje já
se manifestava naquele
tempo, e esse grande artista
e amigo foi vítima.
Diante de tamanha brutalidade,
muito pouco pôde
ser feito. De minha parte,
escrevi logo em seguida
um texto teatral, mostrado
nas cidades do México
e Washington, que provocaram
as mais diferentes reações.
Nem entendi direito porque
tamanha gritaria. A peça
relata as condições
em que um artista, depois
de ter sobrevivido uma
ditadura do Estado, acaba
sucumbindo diante de um
verdugo infame. Hoje entendo
a intensidade das discussões
naquelas cidades, elas
estavam bastante avançadas,
em relação
ao que aqui nós
ainda ingenuamente acreditávamos.
Os nativos da província
brasileira achavam que
bastava tão somente
conquistar o Poder do
Estado, para resolver
todos os nossos problemas
- as questões sociais,
ao menos. Hoje, passados
vinte anos é oportuno
indagar o que de fato
aconteceu com o contexto
social?
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| Reynaldo
Valinho Alvarez: o poeta
do Lavradio
Reynaldo
Valinho Alvarez, autor
dos mais premiados de
nossa história
literária, é
um poeta essencialmente
urbano. Filho de pai espanhol
e mãe portuguesa,
é carioca da gema,
nascido, em 6 de janeiro
de 1931, no Centro da
cidade do Rio de Janeiro,
portanto brasileiro, e
por sua origem e pela
temática de sua
poesia, universal.
Fez
o Primário na Escola
Municipal Celestino da
Silva, na Rua do Lavradio;
cursou o Ginasial e o
Clássico no Colégio
Pedro II; graduou-se em
Letras Clássicas
pela Faculdade Nacional
de Filosofia. É
formado também
em Direito, Economia e
Administração.
Trabalhou durante quarenta
anos em várias
áreas ligadas à
comunicação,
educação
e cultura. Foi advogado,
professor, consultor industrial,
publicitário, cronista
de rádio, dirigiu
e fez roteiro de documentários.
Colaborou em numerosos
suplementos, jornais e
revistas.
Augusto
Sérgio Bastos
“(...)
Valinho é, porém,
mais do que um verse-maker
brilhante, familiarizado
com o mostruário
das formas tradicionais,
capaz de apropriar-se
da herança clássica,
dos cambiantes retóricos
e do alegorismo da poesia
barroca que sobrelevam
em Canto em si,
construídos como
uma série de conjuntos
estróficos em ordem
crescente, no mesmo metro
decassilábico dos
sonetos, formando cada
conjunto uma unidade diferenciada
de expressão lírica.
[...]"
(NUNES,
Benedito. Contracapa.
In: ALVAREZ, Reynaldo
Valinho. A faca pelo
fio: poemas reunidos.
Rio de Janeiro: Imago:
Biblioteca Nacional, 1999)
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poesia
sempre |
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| poemas
de
Vitória Lima
. Vera Lúcia de
Oliveira
Adriano Espínola
Igor Fagundes
. Jacinto Corrêa
Ricardo Máximo
. Angela Melim
Diana
de Hollanda . Lina
Tâmega Peixoto
Júlio Machado
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poesia |
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A mesma de tempos atrás
Renata
Belmonte
Se você
me perguntasse, responderia
assim: cresci observando
minha mãe colecionar
vestidos para o grande
dia, a data do retorno
que nunca aconteceu. Às
vezes, me escondia em
seu quarto, apenas para
tentar ser parte de seus
delírios, cada
roupa uma nova dramatização
para o fim da longa espera.
Vestir-se significava
experimentar um pouco
da felicidade projetada
em seus sonhos. Quando
morreu, tive dúvidas
sobre qual deles ela deveria
usar. Optei pelo que comprou
por último, um
longo rosa seco com leves
bordados em prata. Imaginei
que em seu enterro, ela
talvez conseguisse o que
tanto almejava. Ledo engano.
Em cada palavra sentida,
a ausência do único
que importava. De preto,
despi-me para sempre da
esperança de qualquer
aviso. E fiz a escolha
pela nudez, transformando-a
em profissão.
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| mais |
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| PORTAL
Conversação
no umbral da grande sala
IZACYL
GUIMARÃES FERREIRA
Em texto
recente, na edição
115 da revista que edito
para a UBE, “O Escritor”,
utilizei como epígrafes
palavras de Antonio Machado
e T.S.Eliot, insinuando
o que o título
acima prenuncia. Isto
é, que a poesia
pode ser lida ou ouvida
como fala, conversação.
Para os dois poetas, a
poesia e a fala diária
têm muito em comum,
tendem uma para a outra,
segundo a leitura que
fazemos de seus conceitos.
Ou seja: após
tantas idas e vindas,
voltas e revoltas, a poesia
que fica, tem ficado,
deverá ficar na
memória e na história,
seria a que se esconde
ou se mostra na fala,
a que a língua
possibilita sem precisar
ser destruída,
desconstruída.
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crítica
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| AFINAL,
DO QUE SE TRATA A INVEJA
DO PÊNIS?
Dona Leonor
Neuzinha
tem poucas letras e, por
isso, conseguiu no máximo
ser manicure. Chegou a
ter raiva da vida, maldizia
os santos de todas as
religiões e quase
virou atéia, mas
salvou-a um pastor evangélico
que, agora, incentiva
essa minha amiga aos estudos.
Ela,
então, meio desorientada,
escolheu um cursinho de
extensão cá
perto de casa. Quis porque
quis, bateu pé,
e se inscreveu na turma
de psicologia. Queria
entender de gente para
ver se entendia a si,
e agora deu de arranjar
explicações
para tudo, para tudo mesmo.
Para ela, qualquer coisa
é complexo disso,
complexo daquilo, sem
falar que noutro dia ela
me veio com uma conversa
sobre inveja do pênis.
É, disse que a
mulher, desde a mais tenra
idade, sente inveja do
pênis, por acreditar
que os meninos têm
um penduricalho e as meninas,
nada!
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mais
crônica |
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| JACINTO
FABIO CORRÊA: A
POESIA DO DETALHE
O poeta
carioca Jacinto Fabio
Corrêa, nascido
em 1960, surgiu no cenário
literário brasileiro
em 1989, com a publicação
de Entre Dois Invernos,
produção
independente que anunciava
a opção
do escritor pela poesia
do detalhe, retratando,
com particular sutileza,
as situações
do dia-a-dia.
Uma
particularidade de sua
obra é o casamento
essencial entre a palavra
e o visual.Essa proposta
de trabalho é marcada
principalmente pelo aspecto
artesanal dos seus livros,
em que cada exemplar é
tratado individualmente,
por meio de colagens de
papéis, metais,
madeiras e de acabamentos
que se utilizam de cordas
ou silk-screen.
Além
de Entre Dois Invernos,
Jacinto já lançou
outros oito livros de
poesia seguindo essa mesma
linha de trabalho, com
a criação
visual sempre assinada
pela designer Heliana
Soneghet Pacheco: Cenas
Nuas (1990), Jogos
Urbanos (1992), O
Derrame das Pedras
(1994), Pedaços
– O Parasempre da
Hora (1996), O
Diário do Trapezista
Cego (1999), Poemas
Casados (2003), Poemas
Caseiros e Poemas
Simples (2007). Além
disso, em 2005, lançou
em conjunto com seu irmão,
o cantor e compositor
e cantor Paulo Corrêa,
o CD de música
e poesia Sinais Urbanos.
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| Órbita
IZACYL
GUIMARÃES
FERREIRA
No
Rio de Janeiro,
no âmbito
da poesia, Helena
Ortiz põe
em órbita
livros de poesia
da ep
- editora da palavra,
e no portal panorama
da palavra, que
durante anos foi
impresso, divulga
poesia de hoje,
de ontem e de
amanhã.
Empreendimentos
escritos assim
em caixa baixa,
mas de alta qualidade.
Creio que o livro
“Fora de
órbita”,
o primeiro de
Luiz Otávio
Oliani, estará
orbitando por
um bom tempo,
graças
à incomum
capacidade do
autor em conciliar
silêncio
e palavra, risco
a que estão
sujeitos os poetas
que temendo ou
rejeitando o excesso
podem deixar inconcluso
ou dificultado
o seu dizer. Não
é o seu
caso.
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