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panorama
da palavra. o que sucede? que
o mundo segue andando aos trancos
ênfase para a atrocidade
tipo bush.
bombas sim bandeiras não
povos pululam entre chamas.
fuligem torna invisíveis
os que não
digitam senhas
teimosos saem debaixo de pontes
e marquises crescem nascem marcham
invadem prédios campos
fazendas com armas ou sem assustando
o inimigo: seguranças
e senhas - sanha.
leia
o editorial
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| O
EVANGELHO SEGUNDO KING
Boaventura
de Sousa Santos
deve haver um deus
que não nos governe
canine wisdom
"Boaventura de Sousa Santos é
um cara estranho. Além de ser o único
sujeito no mundo que conjuga o verbo ir
na segunda pessoa do plural, escreveu um
dos livros de poesia mais estranhos que
eu já tive a oportunidade de ler.
Escrita INKZ, antimanifesto para uma arte
incapaz, lançado em 2004 pela editora
Aeroplano, é estranho em seu sentido
primordial – se refere àquilo
que é excêntrico, àquele
que é de fora. Se Escrita INKZ
fosse estranho meramente por ser desconcertante
ou extremamente inovador, características
que o livro possui, não faria jus
à estranheza de seu autor. Mas ele
é, em sua estranheza verdadeira,
uma possibilidade real de se pensar o outro,
esse excêntrico, esse estranho tão
próximo que escapa de nós."
Márcio-André
de Sousa
crítica
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DOIS NÃO-CONTOS
DE ADRINO ARAGÃO
Adrino Aragão
Chalé verde
ou boca dos leões
primeiro vieram as máuinas,
e a tranqüuilidade da população
foi violentada. indiferentes à curiosidade
dos habitantes, os homens avançaram
com as máquinas sobre o antigo casarão
em ruínas.
alguns achavam que os homens
lhes deviam explicação, e
tentaram se aproximar. barrados pela sentinela,
passaram a se manter distantes, embora permanecessem
discutindo entre si, sobre o que se passava,
e de onde teria vindo toda essa gente estranha.
mais |

PIEDADE
AOS EXILADOS
uma crônica
de Dona Leonor
Noutro dia mesmo,
a filha da vizinha trocava os dentes
e, agora, como se já transcorridos
muitos anos, ela empina peitos sob
a blusa e passa pelos garotos com
olhos cheios de promessas como os
de uma adulta.
O tempo escoa rápido para ela,
e não só por causa da
urgência dos hormônios.
Não. O mundo a quer assim,
servil a uma velocidade que lhe tira
o direito de experimentar seu próprio
momento. Ela vive no futuro!
mais |
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poeta
da vez - ASTRID CABRAL
Astrid Cabral é
amazonense, radicada no Rio de Janeiro,
poeta, ficcionista, tradutora e cronista.
Detentora de mais de dez prêmios
na área de literatura, participa
de mais de quarenta antologias no
Brasil e exterior. Exerceu o magistério
universitário como professora
de literatura e foi funcionária
do Serviço Exterior Brasileiro.
É autora dos livros Alameda
(Ed. GRD, Riode Janeiro, 1963), Ponto
de cruz (Ed.Cátedra, Rio
de Janeiro, 1979), dentre outros.
"Se há
uma chave para abrir Jaula, da poeta
amazonense Astrid Cabral, seu nome
é espanto. Vens e me lambes
a fronte / e com o olhar me tateias,
diz-me o livro a respeito de meu próprio
ímpeto de lê-lo e sê-lo
numa – animal – fraternidade.
E alegremente espanta-me saber que,
a despeito do título da coletânea,
não há nada que, de
fato, nela precise ser aberto: livres
pelas páginas, todos os bichos.
Libertas no verso, todas as feras.
A palavra poética inaugura
este espaço onde não
há grades nem cadeados: solto
meus cavalos / de sonho no hipódromo,
anuncio-me na fala da poeta."
(Igor Fagundes
, Poeta, jornalista, mestrando em
Poética na UFRJ e autor dos
livros Transversais (2000),
Sete mil tijolos e uma parede
inacabada (2004) e por uma
gênese do horizonte (2006).)
poeta
da vez |
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ÁLVARES
DE AZEVEDO: um poeta ultra-romântico
(1831-1852)
Manuel Antônio
Álvares de Azevedo nasceu em
12 de setembro de 1831, na cidade
de São Paulo (SP). Era o segundo
filho de Inácio Manuel Álvares
de Azevedo, quintanista da Faculdade
de Direito, e de D. Maria Luísa
Carlota Silveira da Mota Azevedo.
Seu pai bacharelou-se
em 1833 e nesse mesmo ano mudou-se
com a família para o Rio. Auditor
de guerra, juiz de Direito em Niterói,
chefe de Polícia da Corte,
deputado geral pela Província
do Rio de Janeiro, entregou-se depois
à advocacia, a que se consagrou
até o final de sua vida.
Augusto Sérgio
Bastos
“É inegável
o valor absoluto de Gonçalves
Dias e o sentido retórico de
Castro Alves, mas também é
admirável o gênio criador
e modernizador de Álvares de
Azevedo”. Isso de se dizer que
ele não soube ser ‘nacionalista’
é coisa de crítico nacionalista
e não de estudioso de poesia.
[...] Mais do que
qualquer outro poeta romântico
brasileiro, soube explorar a alegria
ingênua, mas genial, de se brincar
com os temas, de se jogar com a linguagem,
como em ‘O poema do frade’,
onde Castro Alves buscou muitas das
suas imagens e onde se lê que
‘ A crítica é
uma bela desgraçada / Que nada
cria e jamais criara; / Tem entranhas
de areia regelada; / É a esposa
de Abraão, a pobre Sara / Que
nunca foi por Anjo fecundada’.
"
(Gilberto
Mendonça Teles. “Vinte
e um anos incompletos”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
7 de abril de 2001. Caderno Idéias)
poesia
sempre |
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| poemas
de
Eunice Arruda
Leila Míccolis .
A. Café-Gallo
Plínio de Aguiar . Oswald deAndrade
Agilberto Calaça . Lara
de Lemos
Aclyse de Mattos . Enzo
Potel Quaglio . Bento Nascimento
Leo Lobos (Tradução
e crítica: Cristiane Grando)
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| FILME B
Helena Ortiz
Pera aí,
que é?
tô ouvindo um barulho.
que barulho?
sei lá, um barulho.
porra, que barulho, cara?
tu não ouviu?
não ouvi nada, caralho
olha aí
o que?
tu não ouviu, maluco?
não tô ouvindo barulho
nenhum.
baixa essa porra!
pô cara, que merda é
essa? a gente tá vendo o filme
sai dessa viagem.
olha aí
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