O panorama da palavra circula, pela primeira vez, somente em versão virtual. Íamos caminhando sempre para a frente, mas eis que nos deparamos com uma pedra. A pedra é grande demais para nossas forças. Será preciso que sentemos e meditemos no significado dessa pedra tão grande em nosso caminho, que até agora vinha dificil, mas não era demasiado íngreme, e em alguns momentos (quantos!) deu flores.

Ficaremos um pouco sentados, refletindo sobre o quê fazer, em como retirarmos do nosso caminho a pedra enorme. Não sabemos como isso acontecerá. Sabemos apenas que é um momento de repouso. É possível que alguém, mais forte do que nós, remova a pedra e abra o caminho. É possível que não venha ninguém. E fiquemos ali, ao pé da pedra, até virarmos musgo.

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BARREIRAS

Em novembro de 2005 eu já desconfiava que teria que parar com o panorama da palavra impresso. Coisas que acontecem na vida. Afinal, tudo o que se espera de um jornal é que ele circule. Mas quantos já pararam muito antes? Chegar ao número 53 foi uma façanha.Talvez por isso eu tenha deixado para dezembro o lançamento de meu livro de poemas Sol sobre o dilúvio. Estava pronto desde outubro, mas um motivo ou outro o adiavam. Talvez fosse essa a festa que faltava para encerrar bem a caminhada.

Todo o mundo sabe que não gosto de fazer lançamentos em livrarias por vários motivos: primeiro, o alto percentual que fica com a livraria, em virtude do empréstimo da casa;as filas que não terminam e o fato das pessoas não poderem ficar como gostam, em convívio, bebendo alguma coisa, aproveitando a oportunidade de estarem juntas, falando dos livros e de si. Por causa disso eu não encontrava o lugar ideal.

Lançamento do livro Sol sobre o dilúvio, em 4 de dezembro, praia de Ipanema.

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sol sobre o dilúvio

Helena Ortiz

Lançamento:
primeiro domingo de sol de dezembro

Calçada da Av. Vieira Souto, entre as ruas Teixeira de Melo e Farme de Amoedo

A partir das 11h.

"Econômica no dizer, pungente no sentir, competente ao transmitir: três qualidades marcantes desta poeta que se reafirma aqui em linguagem inconfundível e unidade expressiva integrada de voz, características exclusivas de poetas prontos. Com este livro, no meu entender, Helena Ortiz ingressa definitivamente na categoria de poeta de nascimiento sin poder remediarlo.

Nenhum tipo de exagero é adequado para ilustrar a forma comedida de seu falar, às vezes um quase não falar, um sugerir apenas, um roçar de leve o coração da matéria vida, percebida, sentida e ali entranhada pela mágica das palavras. No seu caso, poucas, enxutas e reunidas em lenta, sincopada reserva, mas com êxito necessário à conhecida suspension of desbelief através da qual penetramos de chofre em uma realidade poética. Esta qualidade rara de pouco falar e muito dizer, Helena Ortiz possui como ninguém. "

Márcia Cavendish Wanderley

crítica

 

campo de pouso

joana maria guimarães

Prefácio
(fragmentos)

"Após algumas passagens por coletâneas de literatura, Joana Maria Guimarães, com seu primeiro livro-solo, Campo de Pouso, finalmente aterrisa no flutuante cenário da poesia brasileira contemporânea. (...) No campo de vôo das páginas, tudo é movimento: do título dos poemas, em geral reticente e sugestivo, ao último verso de cada um deles (quando a autora, fazendo uso de cortes lancinantes de efeito, busca dar continuidade e alargamento semântico ao que poetiza, por meio da valorização do não escrito), como em “Sanatório”: da memória salta o rosto: / olhar liso / riso oblíquo / é o irmão / a dar adeus atrás / das trincheiras."

Igor Fagundes é poeta e mestrando em Ciência da Literatura/Poética na UFRJ.

crítica

poeta da vez - PAULA PADILHA

Paula Padilha é carioca, publicou em 2001 olhar descalço, seu primeiro livro de poemas, pela Editora da Palavra. Tem poemas publicados em jornais e revistas do ramo. Atualmente, cursa Filosofia na PUC -Rio.

poeta da vez

AÇUCENA

Marília Arnaud

Tantos anos se passaram e ainda não aprendi a esquecer Açucena. Em sonhos ou bem acordado, ela se faz sempre presente, exatamente como em nossos primeiro tempos juntos, livre, linda e plena, flor de desejo e esperança, o verão encarnado na pele, o cheiro de mar nos cabelos, o salgado riso e o olhar de primeira namorada, tudo isso e, sobretudo, o modo com que me apertava em seus braços ainda me dão vontade de chorar.

A princípio, fomos felizes, ou quase. Na verdade, desde o nosso começo sentia-me incomodado com o fato de Açucena desconhecer, ou sequer suspeitar dos esgotos secretos que me percorriam, dos labirintos penumbrosos das minhas fantasias, dos meus lobos e abutres, das obsessões que aos poucos foram solapando o nosso sonho. Às vezes, perguntava-me por qual razão eu falava tão pouco de mim, e eu lhe dizia que não havia nada para falar, que a minha vida fora sempre tão estéril, que só ela e tudo que viesse dela me interessavam e me enriqueciam, minha vida começando a partir daí, do meu amor por ela.

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Fagundes Varela: o poeta errante (1841-1875)

Carlos Souto Pena Filho nasceu em 17 de maio de 1929, no Recife (PE). De família de imigrantes portugueses, seus pais foram Carlos Souto Pena, comerciante, e Laurinda Souto Pena. Em 1937, com a separação dos pais, foi para Portugal, com a mãe e os irmãos Fernando e Mário, morar na casa dos avós paternos. Lá viveu dos oito aos doze anos quando então retornou. O pai permaneceu no Recife, onde era proprietário de uma sorveteria.

Augusto Sérgio Bastos

“O que mais me atraiu na poesia de Carlos Pena Filho quando surgiu o ainda menino e já tão artista, telúrico sem deixar de ser renovador no Recife da expressão poemática em língua portuguesa? Creio que o mesmo que o atraiu à minha prosa: a sensibilidade à cor. A sensibilidade às cores. A particular sensibilidade ao verde e ao azul."

(Gilberto Freyre. “Carlos Pena Filho”. In: Edilberto
Coutinho. O livro de Carlos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983)

poesia sempre

IMENSA LUNA

Paulo Rogério Diniz

Do portão que atravessou o século, ferro forjado, desenho central de um pássaro, olhava aquela trilha em curvas que, provavelmente, levaria ao casarão. Seria proveitoso ocultar o futuro? Fantasia final a ser desvendada e realizada num dia quase completo, transparente, eficaz quem sabe.

Não conseguia imaginar um autêntico Van Gogh naquele lugar ilusório/decadente, uma larga escadaria na entrada, janelas grandes, vitrôs coloridos e geométricos, candelabros nos cantos, tapetes comidos pelos ratos e pelos fatos.

O encontro combinado de forma inesperada veio flambando com palavras curtas, calafrios, bocas e beijos. O jardim de uma casa do inicio daquele século era uma curiosidade. Alem de tudo a mudança recomeçaria no outro dia e a chave emprestada repousava no bolso da jaqueta.

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poemas de

Álvaro Mendes

Adelmo Oliveira . David Mestre
Cleberton Santos. Ângelo Alfonsin

Paulo Betancur . Ricardo Silvestrin . Celso Gutfreind
Alzira Cabral . Florbela Espanca . Alexandre Brito

Francisco Véjar

Carlos Pena Filho

 

Qual o tamanho da realidade?

uma crônica de dona leonor

O mundo é redondo mas, pelo quadrado da janela, o recorte geométrico tenta me facilitar o entendimento das coisas. Em vão! Quanto mais idosa, mais dificuldade tenho para discernimentos.

E eu fico cismada com isso, com essa incompetência para dar conta de tanta realidade, porque não sou velha de ficar rindo por aí feito uma idiota. Tenho pelancas e gosto delas. Passo creminho e tudo.

 

 
 
 
poeta da vez
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editora da palavra