Caros leitores,

Num momento em que se espera que o poeta saiba não só escrever, mas recitar, cantar, equilibrar-se, tocar instrumentos, ligar-se em fios, malabares, interagir com a platéia, distribuir cds, e ainda assim agradar o público quase enfartado de efeitos especiais, cá está o panorama da palavra, que se distancia cada vez mais dessa vertente, e permanece na intenção de dar a um leitor especial, aquilo que ele quase não tem mais: um jornal aberto mais para a poesia do que para os brilhos da vaidade.

leia o editorial

sol sobre o dilúvio

Helena Ortiz

Lançamento:
primeiro domingo de sol de dezembro

Calçada da Av. Vieira Souto, entre as ruas Teixeira de Melo e Farme de Amoedo

A partir das 11h.

"Econômica no dizer, pungente no sentir, competente ao transmitir: três qualidades marcantes desta poeta que se reafirma aqui em linguagem inconfundível e unidade expressiva integrada de voz, características exclusivas de poetas prontos. Com este livro, no meu entender, Helena Ortiz ingressa definitivamente na categoria de poeta de nascimiento sin poder remediarlo.

Nenhum tipo de exagero é adequado para ilustrar a forma comedida de seu falar, às vezes um quase não falar, um sugerir apenas, um roçar de leve o coração da matéria vida, percebida, sentida e ali entranhada pela mágica das palavras. No seu caso, poucas, enxutas e reunidas em lenta, sincopada reserva, mas com êxito necessário à conhecida suspension of desbelief através da qual penetramos de chofre em uma realidade poética. Esta qualidade rara de pouco falar e muito dizer, Helena Ortiz possui como ninguém. "

Márcia Cavendish Wanderley

crítica

 

campo de pouso

joana maria guimarães

Prefácio
(fragmentos)

"Após algumas passagens por coletâneas de literatura, Joana Maria Guimarães, com seu primeiro livro-solo, Campo de Pouso, finalmente aterrisa no flutuante cenário da poesia brasileira contemporânea. (...) No campo de vôo das páginas, tudo é movimento: do título dos poemas, em geral reticente e sugestivo, ao último verso de cada um deles (quando a autora, fazendo uso de cortes lancinantes de efeito, busca dar continuidade e alargamento semântico ao que poetiza, por meio da valorização do não escrito), como em “Sanatório”: da memória salta o rosto: / olhar liso / riso oblíquo / é o irmão / a dar adeus atrás / das trincheiras."

Igor Fagundes é poeta e mestrando em Ciência da Literatura/Poética na UFRJ.

crítica

poeta da vez - Nilzanira Reyes

É carioca, técnica de projetos elétricos, função em que se aposentou pela Petrobras. Atualmente, junto com seu marido, desenvolve projetos na área do turismo, a partir da Pousada Vale do Sereno, em Paty de Alferes, onde realiza anualmente, em novembro, a Mostra de Poesia de Paty de Alferes, hoje na sexta edição.

Freqüentou as oficinas da Estação das Letras, publicou Tinto em 2202 pela Editora da Palavra e participou da antologia de poesia Sete Vozes, da mesma editora, em 2004.

Faz parte do Conselho Editorial do jornal panorama da palavra.

poeta da vez

zero absoluto

Daniel Santos

Dirceu está melhor, aos poucos vai se recuperando”, diz a esposa do paciente por telefone aos vários amigos que pedem notícias dele.

Embora essas palavras de alguém intimamente ligada ao velho amigo acalmem os ânimos, todos sabem, embora neguem isso, que ele está por pouco e, se não finou-se já, deve tudo aos médicos.

Porque lhe tiraram muitos segmentos: intestinos, fígado, baço e mesmo o delicadíssimo pâncreas ... De tudo, os clínicos extraíram material para análise. E o resultado ... Bom não foi, porque o enfermo submete-se a intensivo tratamento há quase cinco meses. Cinco meses sem levantar da cama e, incrivelmente, sem perder o sorriso de sempre. Vai ver, não está tão mal assim – seus amigos comentam no saguão do hospital, quando se encontram em dias de visita. Evitam, dessa forma, encarar a realidade mais amarga: em breve, vão perder aquele que nunca se notabilizou em seu círculo, mas soube ser agradável, jovial, bem humorado, capaz de tirar piadas ao momento mais grave.

mais

Fagundes Varela: o poeta errante (1841-1875)

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em 17 de agosto de 1841, na Fazenda Santa Rita, no atual município de Rio Claro (RJ). A fazenda ficava em São João Marcos, antigo distrito que no século passado foi inundado para dar lugar à Represa de Ribeirão das Lajes. De família de posses, era filho de Emiliano Fagundes Varela, advogado e juiz de órfãos, e de Dona Emília de Andrade, sobrinha do barão de Rio Claro, herdeira de terras. O casal teve 17 filhos. O pai, advogado, foi deputado na Assembléia, em Niterói, e o avô paterno, rico fazendeiro, também advogado, formado na Universidade de Coimbra, foi deputado em Lisboa como representante da Província do Rio de Janeiro. Até os 10 anos viveu em sítios e fazendas, depois, seguindo a família, morou em Angra dos Reis, Petrópolis e Niterói. Para manter a tradição dos Varela, foi para São Paulo, em 1859, estudar advocacia. Em paralelo, teve seus poemas publicados em jornais, gerando polêmicas devido às críticas ao clero e às beatas, tornando-o conhecido em todas as rodas literárias. Foi uma fase intensa de vivências. Imiscuiu-se na juventude rebelde – cachaça e viola à luz da lamparina – e tropeçou no amor.

Augusto Sérgio Bastos

“Dentre nossos maiores poetas românticos, Fagundes Varela (1841-1875), certamente, é o menos aquinhoado pelo julgamento positivo de críticos e historiadores. Chegou tarde demais em relação a Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e a Casimiro de Abreu, e muito cedo frente a Castro Alves. Predominou, quase absoluto, na década de 1860, desdobrando temas e formas herdados do ultra-romantismo, e injetando em seus versos uma dimensão libertária e abolicionista que seria a tônica de alguns poetas que lhe sucederiam no momento de entoar o canto do cisne romântico."

(Antonio Carlos Secchin. Melhores poemas de Fagundes Varela. São Paulo: Global Editora, 2005)

poesia sempre

poemas de

Moacyr Félix

Alexandre Dáskalos . Idea Vilariño
Jorge Luis Borges (Tradução de Ferreira Gullar). Arriete Vilela . Celso Brito

Diana de Holanda . Harold Pinter
Martim César . Cristiane Grando

Cassiano Ricardo . Márcio Paschoal
Célia Maria Maciel . Zeh Gustavo . Angélica Garcia Santa Olaya

Língua@virgem

 

O BOM EDSON

um conto de Helena Ortiz

Segundo a polícia, ele teria sido seqüestrado por acaso. Uma quadrilha da favela Pantanal planejara o seqüestro de um comerciante, mas ele não apareceu no local. Mas só teria sido seqüestrado porque o carro em que estava desceu ladeira abaixo quando os seqüestradores tentavam retirar os ocupantes. Um empresário estava com ele. Voltavam de um jantar em São Paulo.

Dois dias depois, o corpo do prefeito foi encontrado em uma estrada a 78 km de São Paulo, com sete entradas de bala. O empresário era Sérgio Gomes da Silva.

 

 
 
 
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