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"Agosto
não desmente agosto,
e cá estamos às
voltas com as agruras que ele
promete – e cumpre. Mas
não dividiremos com você,
caro leitor, os problemas por
que passamos, porque já
bastam os de origem vária
que você, e também
nós, somos obrigados
a engolir sem que nos paguem
nada por isto. Ao contrário,
pagamos nós, e nossas
malas (todos pensam) não
têm fundo, embora não
tenhamos nem malas."

sebo de
histórias - mar de poesia
- sarau de afetos
A poesia, que
sempre está em toda a
parte, ocupa hoje, também,
espaços mais definidos.
Ela está não somente
nos livros, mas em incontáveis
páginas da Internet,
na televisão, nos teatros,
cafés, livrarias e, como
sempre, nas ruas, onde os candidatos
a poetas vendem, como sempre
fizeram, os seus versos iniciantes
a um público sensível.

O XIII CONGRESSO BRASILEIRO
DE POESIA reúne na Serra
Gaúcha variadas formas
de expressão poética,
assim como as artes plásticas,
que foram também incorporadas
ao Congresso a partir de 1996.
leia
o editorial
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Sete Vozes
Izacyl Guimarães
Ferreira
No fim do ano passado a Editora
da Palavra, dirigida por Helena Ortiz,
que edita o jornal panorama da palavra,
publicou um antologia muito especial. Muitos
aspectos a fazem especial. Para começar,
é uma antologia em que figuram só
mulheres poetas. Em segundo lugar, inclui
uma cuidadosa apresentação,
dupla - nas orelhas do livro e em notas
individuais sobre as autoras. São
de Luiza Lobo as orelhas, e de Rita Moutinho
as notas.
crítica
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poeta da vez - helena
ortiz
Helena Ortiz, gaúcha, radicada
no Rio de Janeiro, é taquigrafa
e escritora, autora de quatro livros
de poesia: Pedaço de mim
(T&T Editores, Porto Alegre, 1995),
Margaridas (Ed. Blocos, Rio
de Janeiro, 1997) Azul e sem sapatos
(Ed. Blocos, Rio de Janeiro, 1997)
e Em par (Editora da Palavra,
Rio de Janeiro, 2001). O próximo
livro, a ser lançado em outubro
de 2005 chama-se Sol sobre o dilúvio.
Edita há seis anos o jornal
de literatura panorama
da palavra.
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Guerras greco-pérsicas
sérgio faraco
Essa Cláudia de quem falo,
por causa dos gregos, era repetente,
e a mãe dela vivia se queixando
para a minha: “Ai, a Claudia”.
E não era só a mãe.
Professores, colegas, bastava alguém
mencioná-la e todos suspiravam:
“Ai, a Cláudia”.
Porque ela era muito esquisita, tonta,
e se não conseguia guardar
nem os nomes das cidades gregas, como
poderia lembrar-se de algo como “
Viajante, vai dizer em Esparta que
morremos para cumprir suas leis”?
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| AINDA
TEMOS UNS AOS OUTROS
a crônica de dona Leonor
Antes de casar, trabalhei algumas
semanas como voluntária no
Orfanato Brasil. Varria, cozinhava,
lavava roupas, brincava com as crianças
... o que fosse necessário.
E não me arrependo: apesar
da breve dedicação,
aprendi muito com aqueles filhos de
ninguém.
Não me refiro a solidariedade,
compaixão, companheirismo,
nada disso. Quero dizer que a lição
foi de outro quilate e só mais
tarde, principalmente nos momentos
de desamparo nacional, pude entender
e avaliar o quanto os pequerruchos
haviam me ensinado.
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Primeira Epístola
Aos Sobreviventes
um texto inédito de Márcia
Denser
“Caio meu querido,
supondo que eu quisesse te escrever,
como de há muito, supondo que
finalmente eu escrevesse e remetesse
enfim a mensagem ao destinatário,
ainda assim seria sempre uma carta
boomerang, zummmmm, retornando ao
remetente, ao reflexo no espelho,
à pergunta que se repete num
eco sem respostas, no silêncio
de palavras não ditas, de gestos
desfeitos."
mais |
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Castro
Alves:
Antônio Frederico
de Castro Alves nasceu a 14 de março
de 1847, na fazenda das Cabaceiras,
perto de Curralinho (Bahia), cidade
que hoje tem o seu nome. Para homenageá-lo,
em 14 de março comemora-se
o “Dia da Poesia”.
Castro Alves, o mais
popular poeta romântico brasileiro,
tinha o apelido de Cecéu para
a família e os amigos. Foi
o Poeta dos Escravos para a história
da Literatura, o estudante subversivo
para as autoridades do seu tempo.
Em seus poemas não cantou apenas
o abolicionismo mas também
o amor, a mulher, a morte, cantou
a República, as lutas de classe,
o sonho, a liberdade e, entusiasticamente,
os declamava nas praças, sacadas
e palanques improvisados.
Augusto Sérgio
Bastos
“Uma lição
de como devemos compreender a literatura,
de como realizá-la, de como
fazê-la válida e prestante
para a comunidade. Ele está
presente entre nós pela riqueza
de sentido de sua obra, pela beleza
imorredoura de sua poesia, pelo arrojo
de suas imagens, pela infinita doçura
e singeleza de seu lirismo, pela graça
de sua linguagem, pela fidelidade
à natureza, pela correspondência
com a sensibilidade brasileira. "
(Afrânio
Coutinho, Castro Alves
– Obra completa, Rio de
Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1986.
Nota editorial.)
poesia
sempre
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| poemas
de
adele weber (comentários
de Ricardo Pinto de Souza)
airton pereira da silva . mia
couto
fausto wolff . kátia
maccés . marília
amaral
jomard muniz de brito . cláudia
ahimsa
celso brito
salvador monteiro
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| A algazarra das
moscas
um conto de Helena Ortiz
Tenho feito muito esforço
para não falar de política.
Acho que a arte é maior, e
a política cada vez menor.
Mas é difícil resistir
quando sei, por exemplo (ouvi no rádio)
que uma pessoa organiza um evento
que se chama O Silêncio dos
Intelectuais. Não sou intelectual,
mas sinto vergonha por eles.
O evento parte da constatação
de que esse silêncio, efetivamente,
aconteceu. Os convidados, certamente,
serão os silenciosos. Irão
dizer os motivos por que se mantiveram
em silêncio? Desde quando se
mantêm em silêncio? Não
sei. Devem ter motivos sérios:
um emprego, um salário, uma
bolsa, um cargo, um descaso, uma indiferença,
um desencanto. Cooptados pelos compromissos
ou pelo desânimo? Que tristeza!
Para esses intelectuais não
há mais noção
de pátria e de humanismo. Tudo
também se acaba na conta bancária.
Se alguém escrever demais,
falar demais, pode perder o cargo,
a bolsa, a coluna assinada, o poder,
em suma, de que tamanho seja.
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