Na edição 47 comemorávamos os seis anos do panorama, agora panorama da palavra, e informávamos ao leitor que a partir daquela data o jornal seria cobrado.

Foi uma tentativa de arrecadar dinheiro para o pagamento da gráfica, uma vez que apenas ela é paga para que o jornal chegue a você. Os poetas que fazem o jornal o fazem por amor à arte. Na edição 47 comemorávamos os seis anos do panorama, agora panorama da palavra, e informávamos ao leitor que a partir daquela data o jornal seria cobrado.

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a última partida

aleiton fonseca

Num mais que de repente, Linco ia se levantar dali de um pulo, com sua risada de mangação. A certeza nos aliviava, por hora, de uma dor mais funda. Pois se ele era tão fingido, nos metendo cada susto! Era só um esperar, os adultos se preparassem, que nem precisava lotar a sala de tanta gente para o maior efeito. Ele estava debaixo do lençol, bem quietinho, sobre o banco de madeira rústica. A gente queria ver de perto, era difícil.

Linco era assim mesmo, imprevisível, sempre que presepando coisas. Na maré, que corria ao fundo de nossas casas, ele inventava ondas. De uma vez das tantas, tomávamos um banho num fim de tarde. De mergulho em mergulho, ele sorveteu-se nas águas; nós esperamos que voltasse à superfície... e nada! Caímos em desespero:

 

Gregório de Mattos: o Boca do Inferno

Gregório de Mattos e Guerra é a primeira grande figura da poesia brasileira, o maior expoente da escola literária denominada Barroco (1601-1768). Sua biografia, ainda hoje, apresenta inúmeras lacunas. Nasceu na Bahia em 20 de dezembro de 1633 (ou 36), terceiro filho de Gregório de Matos, fidalgo português, e de Maria da Guerra, baiana. De família abastada, estudou com os jesuítas de Salvador até a idade de 14 anos, quando embarcou para Portugal com o objetivo de estudar Direito. Formou-se em 1661 pela Universidade de Coimbra. Nesse mesmo ano casou-se pela primeira vez.

Augusto Sérgio Bastos

“Com efeito, ao vergastar a sociedade baiana ou ao registrar os numerosos episódios do cotidiano, através de uma linguagem predominantemente burlesco-satírica, Gregório de Mattos nos oferece, sob vários aspectos, cenas, tipos humanos, modos de sentir e pensar dos mais convincentes do Brasil-colônia, naquele período."

Adriano Espínola

 

Tempo é coisa do passado?

a crônica de dona Leonor

Manhã dessas, saí correndo da reunião dos carismáticos, tinha muito a fazer: passar na homeopatia, no armarinho da Neide, no jornaleiro (ah, consegui o fascículo do “Ponto de Cruz – Mãos de Fada”!) e, se desse, no boteco do Mateus para um cafezinho daqueles.

 

poemas de

eugénio de andrade

josé inácio vieira de melo
mayrant gallo

ferreira gullar
luís augusto cassas
bandeira tribuzi
lago burnett

astrid cabral
rosane b. ramos
iracema macedo
safo
ricardo thomé

sá de miranda (comentários de álvaro mendes)

 

ação local – repercussão global

uma crônica de alexandre guarnieri

Um artista carioca se dirige à Barra da Tijuca no Rio para realizar seu trabalho com data e hora marcados previamente e veiculados meses antes por e-½ , jornais, revistas, na TV e em traillers de cinema. Antes, porém, nas semanas precedentes assina a maior quantidade de cartões de crédito, pleiteando os maiores limites de compra que puder.

 

ação social II

um conto de Helena Ortiz

assim que o governo anunciou a campanha de desarmamento corri a comprar meu revólver. desde então muito tenho feito pela preservação da paz urbana. tudo isso sem muita perícia. só precisei treinar a pontaria porque afinal deus me livre de ferir alguém. nunca mato pessoas. nem bichos, embora um galo (vários deles) tenham mexido comigo. nada de muito grave. nunca matei aranhas, por exemplo. um conto de malba tahan me ensinou que aranhas são importantes para tecer certos fios necessários em momentos de perigo extremo. mato coisas.

 

 
 
 
poeta da vez
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