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Mais uma edição
do panorama da palavra. Aqui
não tratamos de best-sellers
ou de livros inventados pelo
marketing porque disso se encarregam
a Bienal e feiras similares.
Aqui tratamos de literatura
em estado puro. Não fabricamos
poetas nem consideramos a arte
um entretenimento. Sabemos que
é necessária,
e cada vez mais, numa sociedade
homogeneizada pela mídia
que deseja que todos se pareçam
para mais facilmente manipulá-los.
leia
o editorial |
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| Cecília
Meireles
Cecília Benevides de Carvalho
Meireles nasceu em 7 de novembro de
1901, no Rio de Janeiro. Seu pai faleceu
aos 26 anos, meses antes dela nascer.
Ficou órfã de mãe
aos três anos de idade, quando
passou a morar com a avó materna.
Augusto Sérgio
Bastos
“Muitos não atinaram
com o sentido de suas palavras. A
maioria, fascinada pelos luxuosos
jogos musicais do que ela ia dizendo,
dizendo e fugindo, fugindo e parecendo
estar perto, não percebeu que
Cecília não era Cecília,
era a imagem que ela se dignava usar,
como um dos duzentos vestidos de todas
as fases de sua passagem entre nós,
que conservava sacralmente em seus
armários do Cosme Velho."
Carlos Drummond
de Andrade
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| a cidade e as serras
(fragmento)
eça de queiroz
– Oh! Jacinto, e quando nós
andávamos por Paris com o Pessimismo
às costas, a gemer que tudo
era ilusão e dor?
O meu Príncipe, que o cabrito
tornara ainda mais alegre, trilhava
a grandes passadas o soalho, enrolando
o cigarro:
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| A árvore
que pensava
oswaldo frança Junior
Houve uma árvore que pensava. E
pensava muito. Um dia transpuseram-na para
a praça no centro da cidade. Fez-lhe
bem a deferência. Ela entusiasmou-se,
cresceu, agigantou-se.
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| um
bosquinho de romãzeiras
a crônica de dona Leonor
Chato dizer isso, mas a verdade é
que não senti tanto assim a
perda de João Paulo II. Sei
lá, o Vaticano fica tão
longe e cercado por tamanho fausto,
que costumo freqüentar Deus na
paróquia cá perto de
casa mesmo.
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| poemas
de
lígia dabul
maria dolores wanderley
. fernando aguiar
rogério batalha . izacyl
guimarães ferreira
elisabeth veiga . kátia
bento . ruy espinheira filho
bruno candéas
alda Lara . jorge de lima
gerardo mello mourãoo
sá de miranda (comentários
de álvaro mendes)
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| um homem frente
e fundo
uma crônica de ferreira
gullar
Lembro-me dele como de uma sombra,
de trapo e de poeira vermelha, deitado
junto a um poço, entre matos.
E num tempo que vai longe na memória,
e assim a imagem se afasta a tal velocidade
(ou a tal velocidade se aproxima)
que se incendeia – e a poeira
é o fogo vivo, o trapo é
chama – e a erva, tão
calma de fato, parece roê-lo
como câncer.
Chamava-se Gaspar. Não conheci,
desde lá, muita gente com esse
nome e talvez por isso o nome se ligasse
exclusivametne a ele, a essa imagem
obscura.
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| pernas puras duras
penas
um conto de Helena Ortiz
crianças carrinhos babás
corre-corre pressa trabalho dinheiro
horário ai que vida corre-corre
a mãe onde estará crianças
carrinhos babás e o pai e o
pai por onde dinheiro trabalho dinheiro
dormir comer ir à praia no
domingo você me leva papai mcdonalds
domingo mamãe eu fui com a
minha mãe a vida o dinheiro
carrinhos babá papai viajou
volta quando não sei não
disse carrinho babá onde vão
ao mercado padaria criança
as pernas já não cabem
mãe pai que bonitinha tchau
vovó ao salão ao bingo
à biriba trabalho horário
dinheiro agenda...
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Dificuldades da crítica
literária
Adolfo Casais Monteiro
Existe a convenção de entender
a crítica como explicadora dos problemas
que investiga; é uma conveção
que só a sua banalidade impõe,
pois não vimos ainda nenhum crítico
que explicasse uma obra: comentar não
é explicar; explicar seria refazer
a obra segundo o processus seguido no espírito
do autor; explicar, seria re-criar, seria
fazer outra vez a obra, mas pondo à
mostra todo aquele trabalho que o autor
esconde para nos deixar ver apenas o acabado.
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O poeta e a mídia
Fábio Lucas
Aricy Curvello é mesmo um
semeador de livros. Há muito
perdi a conta dos muitos que me mandou.
E dos muitos mais que por mim passaram
para chegar à biblioteca da
nossa Escola Érico Veríssimo.
E dos outros muitos mais de que tomei
conhecimento e vão espalhados
por aí, por bibliotecas e cidades.
Um semeador plantando cultura.
Há pouco recebi, do mesmo Aricy
Curvello, o livro “O Poeta e
a Mídia – Carlos Drummond
de Andrade e João Cabral de
Melo Neto”, de Fábio
Lucas. O livro acaba de sair, tem
bela apresentação e
é uma boa edição
da Senac/SP. Na abertura, aparece
a homenagem de uma dedicatória
ao poeta Aricy Curvello, amigo e conterrâneo
do autor.
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