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| Prezados
leitores,
O
grande hiato que
separa esta edição
da última,
a de dezembro,
é por conta
de alguns fatos
que ocorrem com
a maioria das
pessoas. Interrupções
abruptas de percurso,
acontecimentos
que nos tiram
da rotina e nos
levam para uma
outra realidade,
para longe da
área em
que escolhemos
atuar.
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| A
força de uma poesia
Antonio Olinto
Ganha
a poesia brasileira, cada
vez mais, um ritmo de
canção que
pode ter recebido um antigo
impulso no livro "Canções",
de Cecília Meireles.
Ainda há pouco
também Carlos Nejar
publicou suas "Canções"
cuja força aqui
realçamos em artigo
recente. Recebo agora
o livro "Cantares",
de Lúcia Fonseca,
digno de figurar entre
os belos volumes de poesia
publicados entre nós.
Veja-se a beleza de seus
versos em "Noturno
II".
"Aqui é noite./
Definitiva noite/ como
dentro de um fruto./ Um
peixe que se percebesse
só no oceano/ talvez
sentisse medo./ E no entanto
é só que
ele nada/ o mais das vezes.
Aqui é noite./
Apalpo sementes no ventre
escuro do sono./ Tudo
é tão quieto,
calado, enrodilhado em
pelúcia./ Que longas
as gestações;/
o mendigo, o palhaço,
o príncipe, o bêbado,
o triste/ se fazem assim,
no escuro - só
mais tarde, sob as luzes/
serão coroados./
Nessa hora, entre todas,
a mais silenciosa/ imóveis
dormem sonhos e poemas
- sementes na bruma./
Ouvir-lhes o silêncio,
o sono,/ confiar - eis
tudo".
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| Armando
Freitas Filho
Armando
Martins de Freitas Filho,
poeta, ensaísta
e crítico literário,
nasceu no dia 18 de fevereiro
de 1940, no Rio de Janeiro
(RJ). Filho único
do advogado Armando Martins
de Freitas e Maria do
Carmo Accioly Rabello
Martins de Freitas.
Iniciou
os estudos no Externato
Cristo Redentor em 1946,
e concluiu o curso clássico
no Colégio Andrews
em 1958, ambos no Rio
de Janeiro. Por desejo
de sua mãe teria
sido padre. Influenciado
pelos pais e tios, amantes
de música clássica,
quis ser maestro. Por
vontade própria
tornou-se torcedor fanático
do Fluminense. Por destino,
poeta.
Augusto
Sérgio Bastos
“[...]
As aliterações
compulsivas, que permeiam
todos os seus livros,
marcam o zelo do encontro
entre murmúrio
e muro, a voracidade do
amante que se dá
sem limites, buscando
em seu corpo e no da mulher
a crença e descrença
na poesia como possibilidade
de confluência com
a matéria do mundo
— a montanha maciça
sonhando com o céu.
Tornam,
por toda sua poesia, imagens
recorrentes: a solidão
do corpo, o “dia
invariável”,
o sol causticante que
apressa a morte, o mar
imenso em contraposição
à cidade, o trânsito
nos túneis, a fala
que quer rasgar (mas não
pode) o vento que move
os seres."
(BOSI,
Viviana. Objeto urgente.
In: FREITAS FILHO, Armando.
Máquina de
escrever. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira,
2003.)
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poesia
sempre |
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| poemas
de
Celina Portocarrero
. Vera Lúcia de
Oliveira
Afonso Félix de
Sousa
Alceu Wamosy
. Álvaro Mendes
Carlos Pena Filho
Aníbal
Beça . Lucas
Viriato de Medeiros |
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|
poesia |
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| PÉS
FRIOS, CORAÇÃO
QUENTE
Dona Leonor
Às
vezes, Deus escreve certo
por linhas tortas, e sempre
me lembro disso nesta
época de festas
juninas, quando sinto
mais frio e recordo com
gratidão e saudade
aquele que me esquentou
na urgência da carne.
Pois,
naquela época (e
bota aí uns 50
anos atrás!), ajudava
na organização
do arraiá da Igreja
de São Camilo de
Lelis, onde padre Vicenzo
pedia a colaboração
das filhas de Maria para
fazermos a festa.
E era
uma festa daquelas! Uma
coisa, um treco, um negócio,
um trem bão de
nunca mais ninguém
esquecer; em grande parte,
devido às comidas
que nós levávamos
para vender e arrecadar
fundos pra igreja.
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mais
crônica |
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| Luiz
Otávio Moreira
Oliani
Luiz
Otávio Moreira
Oliani é natural
do Rio de Janeiro, professor
com graduação
em Letras e Direito. Participou
de várias antologias
e tem poemas publicados
em jornais do País
e do exterior. Com incursões
no teatro e no jornalismo,
freqüentou oficinas
e atua no movimento literário
da cidade desde 1990,
período em que
obteve mais de quarenta
premiações.
Fora de órbita
é seu primeiro
livro solo.
Em
outras órbitas:
por um encontro amoroso
entre Sócrates
e Oliani
Igor
Fagundes
A um
sábio gato de
Helena,
editora da palavra,
perdido e salvo
entre poemas: Sócrates
Se Sócrates estivesse
vivo (e, de fato, está),
convidaria Luiz Otávio
Oliani para reviver pelo
menos cinco grandes diálogos
platônicos: Teeteto,
Fedro, Fédon, República
e Íon. Em
“Rota”, um
dos poemas-chave deste
livro de estréia,
o jovem poeta revela:
“amo o que está
fora de mim”. Ao
embrenhar-se nesse amor
pelo descentrado, ao lançar-se
para fora de si, querendo-se
fora de órbita,
Oliani faz do pensamento
poético um habitar
para além de qualquer
noção de
“território”.
ÓRBITAS
Izacyl
Guimarães Ferreira*
No Rio
de Janeiro, no âmbito
da poesia, Helena Ortiz
põe em órbita
livros de poesia da ep
editora da palavra,
e no portal panorama
da palavra, que durante
anos foi impresso, divulga
poesia de hoje, de ontem
e de amanhã. Empreendimentos
escritos assim em caixa
baixa, mas de alta qualidade.
Creio
que o livro “Fora
de órbita”,
o primeiro de Luiz Otávio
Oliani, estará
orbitando por um bom tempo,
graças à
incomum capacidade do
autor em conciliar silêncio
e palavra, risco a que
estão sujeitos
os poetas que temendo
ou rejeitando o excesso
podem deixar inconcluso
ou dificultado o seu dizer.
Não é o
seu caso.
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| A
mesma de tempos
atrás
Renata
Belmonte
Se
você me
perguntasse, responderia
assim: cresci
observando minha
mãe colecionar
vestidos para
o grande dia,
a data do retorno
que nunca aconteceu.
Às vezes,
me escondia em
seu quarto, apenas
para tentar ser
parte de seus
delírios,
cada roupa uma
nova dramatização
para o fim da
longa espera.
Vestir-se significava
experimentar um
pouco da felicidade
projetada em seus
sonhos. Quando
morreu, tive dúvidas
sobre qual deles
ela deveria usar.
Optei pelo que
comprou por último,
um longo rosa
seco com leves
bordados em prata.
Imaginei que em
seu enterro, ela
talvez conseguisse
o que tanto almejava.
Ledo engano. Em
cada palavra sentida,
a ausência
do único
que importava.
De preto, despi-me
para sempre da
esperança
de qualquer aviso.
E fiz a escolha
pela nudez, transformando-a
em profissão.
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mais
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